Sexta, Abril 19, 2019

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SANTA MISSA EM SEU LAR

SANTA MISSA EM SEU LAR

PLAY - AOS SÁBADOS ÀS 19h30MIN (TV ITARARÉ)

 

Penha Carpanedo

A reforma do Ano Litúrgico e do Calendário foi um empreendimento de inestimável valor, fruto do movimento litúrgico e da renovação litúrgica a partir do Concílio Vaticano II. O grande desejo foi o de resgatar a unidade do Ano Litúrgico, tendo como eixo estruturante o mistério pascal, para “alimentar devidamente a piedade dos fiéis” (SC 107). Tal novidade foi acolhida com entusiasmo e fervor no início da reforma litúrgica. Aos poucos o povo foi assimilando a teologia e a pedagogia do Ano Litúrgico.

 

TRÍDUO PASCAL PREPARANDO

 

 

No que se refere ao Tríduo Pascal, houve uma progressiva apropriação do seu sentido teológico e das suas expressões rituais e somaram-se esforços em toda a parte para celebrar o Tríduo como memória anual da páscoa num todo unitário, como era nos primeiros séculos da Igreja. A Vigília Pascal, em muitas comunidades, recuperou o seu caráter noturno e voltou ao seu lugar de “mãe de todas as vigílias da Igreja”, ápice das celebrações pascais e de todo o ano litúrgico.

Contudo, no momento atual, estamos assistindo a um esvaziamento, antes mesmo que pudéssemos chegar a uma maturação neste processo de reapropriação. Ou se cumprem as normas de uma maneira absolutamente formal, ou simplesmente se ignora a riqueza proposta pela reforma em seus princípios e orientações. E o vazio acaba sendo preenchido por iniciativas particulares e devoções, ou por expressões da piedade popular, nem sempre com o devido cuidado de fazer coexistir liturgia e práticas de piedade “no respeito à hierarquia dos valores e da natureza específica de ambas” 1 .

Como evitar um tal esvaziamento e tantas deformações? O que fazer para que as festas pascais sejam ponto alto na vida da comunidade, expressões de vida de uma Igreja que busca na liturgia sua primeira fonte de espiritualidade (cf. SC 14)?

Não pretendemos aqui aprofundar exaustivamente todo o significado do Tríduo Pascal, nem temos a pretensão de oferecer solução fácil para um problema que mais parece ser estrutural. Queremos sim evidenciar algum elemento que nos ajude a não desviar a atenção da centralidade do mistério e a considerar a unidade e a superioridade das festas pascais em relação a todas as outras expressões da nossa fé.

Lembrando a história

Até o século II a festa dos cristãos era o domingo, vivido e celebrado como dia de alegria, páscoa semanal. A partir do final do século II firma-se a prática de uma festa anual da páscoa, no domingo posterior ao 14 de Nisã (data da páscoa judaica). Até o final do século III foi a única festa anual da Igreja. Tratava-se da Vigília Pascal que durava toda a noite, culminando ao amanhecer com a eucaristia que marcava a entrada no Pentecostes, entendido como cinqüenta dias de festa e de alegria. A Vigília era precedida pelo jejum que se iniciava na sexta-feira e se prolongava por todo o sábado, até a celebração da eucaristia no sábado à noite. Os elementos essenciais eram a liturgia da Palavra e sua atualização sacramental na eucaristia, aos quais, mais tarde, acrescentou-se o batismo, com a bênção da água. Em torno da vigília foi se firmando, em uma unidade, a memória da crucifixão na sexta-feira, da sepultura no sábado e da ressurreição no domingo.

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Que é o tríduo Pascal ?

A Quaresma, caminho rumo à Páscoa da Ressurreição, termina na Quinta-Feira Santa, com a chamada "hora nona" do Ofício Divino. Ou seja, dura até a Missa da Ceia do Senhor, exclusive (Paulo VI, Carta Apostólica Mysterii Paschalis, Normas universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário, n. 28). O documento utiliza o termo "exclusive", não "inclusive".

Portanto, a Quaresma não inclui a Missa da Ceia do Senhor. Com esta missa, à tarde, começa o Tríduo Pascal, que é o coração do ano litúrgico. Não podemos esquecer que o costume judaico-­cristão considera o início do dia desde a sua véspera; por este motivo. a Sexta-Feira Santa começa no final da Quinta-Feira Santa. Na Missa da Ceia do Senhor, Jesus antecipa a sua paixão; por isso, na missa, faz-se o memorial, da morte e ressurreição de Jesus.

"O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa com a missa vespertina da Ceia do Senhor, tem seu centro na Vigília Pascal, e termina com as Vésperas do domingo da Ressurreição.

QUARESMA TRÍDUO PASCAL

 

 

A palavra "tríduo" sugere a ideia de preparação. Às vezes preparamo-nos para a festa de um santo com três dias de oração em sua honra. ou pedimos uma graça especial mediante um tríduo de orações. A Quaresma é preparação, e o Tríduo Pascal apresenta-se não como um tempo de preparação, mas como uma só coisa com a Páscoa. O tríduo é uma unidade, e precisa de ser considerado como tal; nele se dá a totalidade do mistério pascal. A unidade do tríduo está no próprio Cristo: quando Jesus aludia à sua paixão e morte, nunca as dissociava da sua ressurreição. O Evangelho fala delas em seu conjunto: "Eles O condenarão à morte. E O entregarão aos gentios para ser exposto às suas zombarias, açoitado e crucificado; mas ao terceiro dia ressuscitará" (Mateus 20, 19).

A unidade do mistério pascal tem algo importante a nos ensinar: ela diz-nos que a dor não somente é seguida pela alegria, mas que já a contém em si mesma. O tríduo refere-se também aos três dias aos quais Jesus se referiu, quando disse: "Destruí este templo, e Eu o levantarei em três dias" (João 2, 19). As diferentes fases do mistério pascal estendem-se ao longo dos três dias, como num tríptico: cada um dos três quadros ilustra uma parte da mesma cena; juntos, formam um todo. Cada quadro em si é completo, mas precisa de ser visto em relação aos outros dois.

O jejum do Tríduo Pascal

"É sagrado o jejum pascal dos dois primeiros dias do tríduo, em que, segundo a tradição primitiva, a igreja jejua "porque o Esposo lhe é tirado" (Marcos 2, 19-20). Na Sexta-feira da Paixão do Senhor, em toda a parte, o jejum deve ser observado juntamente com a abstinência, e aconselha-se a prolongá-lo também no Sábado Santo, de modo que a Igreja, com o espírito aberto e elevado, possa chegar à alegria do Domingo da Ressurreição.

(CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO, Carta Paschalis Solemnitas, de 1988, n.39)

A Quaresma propõe um caminho e um método para se chegar ao resultado final da conversão. Trata-se de um caminho existencial bem concreto, feito de atitudes, que conduzem a um resultado concreto:

mudar de vida,

mudar de mentalidade,

tornar-se discípulo e discípula de JESUS.

 

QUARESMA REFLEXÕES MARÇO 2019

 

A reflexão da pedagogia litúrgica de março será um pouco diferente porque focará todos os Domingos quaresmais, e isto significa introduzir o 5º Domingo da Quaresma – C, que será celebrado no primeiro Domingo de abril.

CONVITE À CONVERSÃO

A característica da Teologia e da espiritualidade quaresmal ilumina-se basicamente na conversão. Uma primeira iluminação para incentivar a conversão encontra-se no 8DTC-C, celebrado no início de março. É uma Palavra que chama atenção para um elemento fundamental no caminho da conversão: Jesus é o Mestre e nós, cristãos, somos seus discípulos e discípulas. Isto significa que a conversão só acontece à medida que nos deixamos guiar por Jesus e caminhamos nos caminhos do Evangelho. Este, aliás, é o apelo de Jesus no início de sua vida pública: “convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).

Crer no Evangelho para produzir frutos evangelizadores em nossas vidas (8DTC-C).

Ingressando no caminho quaresmal, o primeiro apelo à conversão acontece na Quarta-feira de Cinzas e insiste no abandono dos caminhos do mundo para ingressar nos caminhos de Deus. Para isso, a espiritualidade quaresmal propõe três atitudes: a esmola, a oração e o jejum. Esmola como convite para partilhar o que se tem com quem está necessitado; converter-se pela partilha e pelo desapego. A oração, também esta como partilha de um tempo da vida pessoal para estar com Deus; a conversão passa pela convivência e intimidade com Deus. O jejum, como ascese para treinar o domínio das próprias vontades e não ceder ao instinto e aos apelos do corpo e da mundanidade.

Conversão e fé

A fé é elemento essencial no processo da conversão. É pela fé que nos tornamos capazes de perceber que tudo que somos e temos vem de Deus. À medida que a fé vai tomando conta de nossas vidas, nós nos colocamos nas mãos de Deus e nos tornamos gratos a Deus, reconhecendo tudo que dele recebemos. Pela fé, nasce em nós aquilo que pode ser denominado como “gratidão oferente”, isto é, a capacidade pessoal de reconhecer que tudo vem de Deus e transformar este “tudo” em gratidão. Atitude que desfaz a arrogância e a tentação de se considerar onipotente. É um passo decisivo no caminho da conversão porque, pela gratidão oferente, nos fortalecemos espiritualmente para recusar toda tentação capaz de nos distanciar do discipulado (1DQ-C).

 

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Campanha da Fraternidade

Mensagem do Papa Francisco

ao povo brasileiro

 

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2019 mensagem do Papa Francisco

 

 

Papa: "Os cristãos devem buscar uma participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo, que permita a construção de uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça".

Silvonei José – Cidade do Vaticano

Como já é tradição, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abre oficialmente nesta quarta-feira de Cinzas, (06/03), a Campanha da Fraternidade (CF). Neste ano de 2019 o tema é “Fraternidade e Políticas Públicas” e o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27).

Nesta Campanha, que se desenvolve mais intensamente no período da Quaresma, a Igreja Católica busca chamar a atenção dos cristãos para o tema das políticas públicas, ações e programas desenvolvidos pelo Estado para garantir e colocar em prática direitos que são previstos na Constituição Federal e em outras leis.

Igreja quer estimular a participação em políticas públicas

Nesta CF 2019, a Igreja no Brasil pretende estimular a participação dos cristãos em políticas públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais da fraternidade. O texto-base da campanha descreve, entre outros tópicos, sobre o ciclo e etapas de uma política pública e faz a distinção entre as políticas de governo e as políticas de Estado, bem como apresenta os canais de participação social, como os conselhos previstos na Constituição Federal de 1988.

Todos os anos, a CNBB apresenta a CF como caminho de conversão quaresmal. É uma atividade ampla de evangelização que pretende ajudar os cristãos e pessoas de boa vontade a vivenciarem a fraternidade em compromissos concretos, provocando, ao mesmo tempo, a renovação da vida da Igreja e a transformação da sociedade, a partir de temas específicos. Em 2019, a Conferência convida todos a percorrer o caminho da participação na formulação, avaliação e controle social das políticas públicas em todos os níveis como forma de melhorar a qualidade dos serviços prestados ao povo brasileiro.

Mensagem do Papa Francisco

O Papa Francisco também este ano enviou uma mensagem por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade. Eis a íntegra da mensagem do Santo Padre:

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Com o início da Quaresma, somos convidados a preparar-nos, através das práticas penitenciais do jejum, da esmola e da oração, para a celebração da vitória do Senhor Jesus sobre o pecado e a morte. Para inspirar, iluminar e integrar tais práticas como componentes de um caminho pessoal e comunitário em direção à Páscoa de Cristo, a Campanha da Fraternidade propõe aos cristãos brasileiros o horizonte das “políticas públicas”.

 

 Muito embora aquilo que se entende por política pública seja primordialmente uma responsabilidade do Estado cuja finalidade é garantir o bem comum dos cidadãos, todas as pessoas e instituições devem se sentir protagonistas das iniciativas e ações que promovam «o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição» (Gaudium et spes, 74).

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QUARESMA 02

 

A FORÇA PEDAGÓGICA DO PERÍODO QUARESMAL


O Ano Litúrgico nos oferece o TEMPO DA QUARESMA como uma oportunidade de fazer memória do nosso Batismo, ocasião em que nós recordamos aquela graça, pela qual fomos inseridos um dia, mergulhando na água do Espírito, renascendo para uma vida nova.

Por sua força sacramental, o tempo quaresmal nos coloca em prontidão para a escuta da Palavra e a oração, elementos essenciais que devem ser vividos também ao longo de todo Ano Litúrgico, mas que a Igreja chama para uma atenção particular e mais atenta neste tempo. Então, a ação memorial do batismo, nós a realizamos escutando a Palavra, orando em comunidade e celebrando na mesa comum a memória pascal do próprio Cristo.

Nas comunidades primitivas era também ocasião em que os catecúmenos, aqueles que eram iniciados na fé, podiam ser preparados para receber o sacramento do batismo, um dos que fazem parte dos chamados ‘sacramentos da iniciação à vida cristã’. No período quaresmal, os catecúmenos viviam o tempo chamado de ‘purificação’ e ‘iluminação’, o que os consagrava a preparar-se mais intensamente o espírito e o coração, examinando suas consciências e com atitudes penitenciais para a vivência sacramental.

Na Quaresma, os fiéis já batizados, assim como os catecúmenos, se dispõem para a celebração do mistério pascal, a cada domingo, ao mesmo tempo, visualizando e tendo como meta a grande celebração do tríduo pascal.

O sentido próprio de cada celebração, se bem vivido, nos proporciona uma real adesão à fé, fazendo com que apreendamos aquilo que é essencial na Igreja, com sua força pedagógica. Cada gesto, cada ação ritual, comporta um sentido teológico, no qual deve ser aprofundado com conhecimento de causa, mediante a qualidade com que se é realizada e celebrada, até provocar no celebrante (todos nós somos os agentes da celebração, por isso somos todos celebrantes) uma atitude interior e espiritual, abrindo-se para o compromisso com a vida.


O sentido do itinerário pedagógico para a nossa vida

 

 

 QUARESMA 01

Se o itinerário pedagógico da fé pode ser vivido no tempo quaresmal, que, com seu sentido próprio, ao longo do Ano Litúrgico pode ser contemplado com uma atitude interior e espiritual, a Quaresma traz em seu bojo duas características que podem nos ajudar a bem vivermos esse tempo: o desejo de conversão e de mudança de vida, e a penitência, elementos principais contidos nas leituras bíblicas e no conjunto da ação litúrgica deste tempo.

Da consciência de nossa incapacidade de vivermos o projeto do Reino surge o desejo da conversão e da mudança interior, por isso um sinal externo nos é apontado como que sendo uma força que impulsiona a direção da mudança.

Na comunidade primitiva a conversão então é tida como um estado penitencial em que aqueles que estivessem aptos para o batismo se comprometiam a refletir sobre a consciência do pecado, tido como ofensa a Deus. Daí nascia o compromisso de não mais pecar, vivido por um estado de contínua conversão. De fato, a penitência só tem sentido se praticarmos as boas obras, tendo em vista o bem maior, seja para mim, seja para em função do próximo.

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