Cripta da Catedral de Campina Grande é inaugurada
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Os primeiros cristãos, chamados de cristãos primitivos, praticavam suas crenças na clandestinidade e de forma secreta, porque eram perseguidos pelas autoridades romanas. Neste sentido, os locais escolhidos para os sepultamentos situavam-se em áreas de difícil acesso, onde havia um lugar específico dedicado a enterrar os mortos; a este lugar, chamava-se cripta. No cenário atual, os cemitérios cristãos são lugares sem nenhum tipo de segredo, o que não ocorria nas primeiras comunidades de cristãos.
A cripta (do latim crypta, que significa “esconder-se”) é uma construção subterrânea, geralmente feita de pedra ou escavada no subsolo, normalmente utilizada para sepultamento de sacerdotes e bispos. Nela, além de uma pequena capela (com altar, bancos, imagens, etc), também podemos encontrar as carneiras, usadas para o sepultamento dos clérigos. Além de seu papel como cemitério, as criptas eram ainda usadas para o culto religioso.
As catacumbas onde eram construídas as criptas continuaram sendo erguidas, até o imperador Teodósio (379 d. C – 395 d. C) tornar o cristianismo como religião oficial do império Romano, no ano 380 d. C. No contexto histórico-religioso, inúmeros santos da história da igreja foram sepultados em criptas. Em Jerusalém, há a famosa cripta de Santa Helena. Segundo a lenda, ela ali encontrou a cruz em que morreu Cristo. Entre outras criptas famosas, estão as de São Pedro, em Roma, e a de São Nicolau, em Bari.
Atualmente, mantém-se o costume de sepultar os bispos nas igrejas, sendo uma tradição da Igreja Católica pelo fato de os religiosos acreditarem que o último lugar de repouso deve ser perto dos santos. Assim, o templo se configura como lugar escolhido para os sepultamentos. Podemos encontrar essa recomendação no Código de Direito Canônico, no cânon 1242, que diz: “Nas igrejas não se sepultem cadáveres, a não ser que se trate do Romano Pontífice, dos Cardeais ou dos Bispos diocesanos, mesmo eméritos, que devem ser sepultados na igreja própria”. O capítulo VII do cerimonial dos bispos, número 1164, também faz menção ao local no qual o bispo deve ser sepultado, onde se diz: “o corpo do bispo diocesano será sepultado na igreja catedral da sua diocese”. Então, faz-se necessário um espaço adequado e preparado para esse fim. No entanto, não é certo pensar que a cripta seja apenas um amontoado de câmaras mortuárias ou um local mórbido e triste. Nas criptas, pode-se também ser administrados o sacramento da penitência e também ser celebrados os batismos e casamentos.
Na cripta da Catedral Diocesana de Campina Grande, foram depositados os restos mortais de Dom Manuel Pereira da Costa e Dom Luís Gonzaga Fernandes (3º e 4º bispos de nossa Diocese, respectivamente). Dom Manuel Pereira foi bispo de nossa diocese entre os anos de 1962 e 1981, quando renunciou por motivos de saúde. Faleceu em 2006, aos 90 anos de idade, na cidade de João Pessoa, tendo sido sepultado no cemitério Senhor da Boa Sentença. Seus restos mortais foram trazidos para Campina Grande em 2009 e sepultados na Catedral Diocesana, diante da imagem de São Joaquim. Já Dom Luís Gonzaga foi bispo de nossa diocese entre os anos de 1981 e 2001, quando renunciou por força da idade. Faleceu em 2003, aos 77 anos, na cidade de João Pessoa. Seu corpo foi trazido para Campina Grande e sepultado na Catedral Diocesana, diante da imagem de Santa Teresinha, a pedido próprio.
Meus irmãos, em breve trarei outros assuntos para formação pastoral; caso tenha ficado alguma dúvida, peço que deixem um comentário ou e-mail, o qual terei a maior felicidade em responder. Rezemos pelo repouso dos nossos pastores, que trouxeram Cristo a nós e nos precederam na fé.
Por: Lucas Henrique
Mestre de cerimônias