SECA NO NORDESTE
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Os brasileiros sempre ouvem falar da seca no Nordeste. Os nordestinos, além de falar dela "com conhecimento de causa", a experimentam, periodicamente, de forma concreta. O fenômeno da seca tem uma causalidade natural, obviamente, embora estudos científicos demonstrem que a mudança do comportamento da natureza também está ligada a causas sociais e industriais que contribuem para a poluição ambiental que provoca efeitos danosos ao cosmos e, consequentemente, às pessoas.
A seca que atinge o Nordeste, no momento, tem proporções acima da média histórica, comparando-se àqueles que foram registradas na década de oitenta; está repercutindo de forma peculiar na vida da população. Não há um quadro de fome na população nas centenas de Municípios que estão sendo afetados porque muitas famílias recebem a Bolsa Família e, nesse contexto, a Bolsa Estiagem. Por isso, não há problema quanto à falta de alimento, daí porque não acontecem os saques a feiras livres e mercados, como ocorreram no passado, da parte de pessoas famintas.
O problema está na falta d'água para suprimento humano, animal e agrícola. A crônica da seca registra a extensão desse problema dado que a população rural e a urbana, em muitos Municípios, estão sendo abastecidas por milhares de caminhões pipa. Ao lado desse sofrimento humano, pesa sobre a população o onus da perda do rebanho bovino, ovino e caprino, fato que tem graves consequências na vida dos criadores. A agricultura familiar, que prevalece na maioria dos Municípios da seca, está efetivamente comprometida. Sem dúvida, a perda do rebanho ou de parte do rebano e a redução ou não produção agrícola têm reflexos a curto, médio e longo prazo na vida das famílias e na economia dos Municípios e dos Estados.