CORRUPÇÃO E EDUCAÇÃO MORAL
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Cardeal D. Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo
Há algum tempo, os fatos de corrupção e desonestidade na gestão dos recursos públicos estão em evidência na opinião pública. No primeiro julgamento do "mensalão", o STF pronunciou-se sobre a acusação de um enorme esquema de corrupção instalado nos altos escalões do Poder Federal e o povo pôde acompanhar tudo, em capítulos, pela televisão. Por decisão do mesmo STF, haverá uma segunda etapa no julgamento desse caso. É para ninguém ficar sem poder ver...
Mas não é o único caso; por vários cantos do Brasil pipocam acusações de desonestidade na gestão dos recursos públicos. Há para todos os bolsos e gastos... Será que a corrupção é maior agora do que no passado? Ou será que a polícia trabalha mais e sua ação ficou mais eficaz? Será que a maior divulgação dos crimes, ou de suspeitas de crimes, gera a impressão que o fenômeno da desonestidade está mais espalhado que nunca?
Certamente, não se pode atribuir esse fenômeno a uma causa apenas. Entre as várias causas, está a lentidão da Justiça, o que passa certa presunção de impunidade e leva a concluir que o crime compensa. Outra explicação para o aumento da desonestidade é a escassa educação para os padrões éticos de comportamento, onde o senso de justiça, de respeito pelo próximo e de retidão são desconsiderados.
Estaríamos diante de um relaxamento na formação da consciência ética e moral dos cidadãos? Será que isso ainda é objeto de educação? Quem se preocupa em educar para padrões éticos válidos para todos? Ainda há quem educa nas escolas sobre o que é bom ou mau, digno ou indigno, honesto e desonesto? Eis uma questão crucial.
Quem, sem ser logo contestado, ainda ousa afirmar valores éticos e morais universais e referenciais para todos?! Em tempos de individualismo e de subjetivismo, também os referenciais éticos da honestidade, da justiça, da dignidade e dos direitos acabam sendo relativizados e deixados para a decisão individual. E então estamos diante do caos ético.